Ontem era apenas mais um dia normal, no qual eu, como de costume, estava tomando meu banho noturno antes de tentar dormir no calor infernal de Recife. Aproximadamente, às onze e meia da noite, enquanto eu deslizava o sabonete despreocupadamente sobre a minha pele, algo inesperado aconteceu.
A escuridão.
Um barulho ensurdecedor invadiu com força meus tímpanos e em menos de meio segundo, tudo que eu conseguia enxergar não passava de um breu silencioso e sorrateiro. Minha primeira reação foi pensar que estava sendo alvo de criaturas do além que vieram especialmente para me arrastar para um lugar tranquilo onde eu passaria minha eternidade no conforto de uma brisa fresca. Ah, mas era apenas uma pequena alucinação que pouco durou. Tentei freneticamente encontrar a torneira que ligaria o chuveiro e lavaria a espuma do meu corpo, porém o breu me deixava completamente cega.
Depois do que pareceu uma vida inteira, consegui terminar o banho e me enxugar com a toalha que repousava em algum local que eu não podia ver. Para minha felicidade, topei com algo que acendeu a luz com meu toque abrupto: meu celular. O salvador da minha vida. Graças a ele, consegui ter um pouco de sanidade e escovei meus dentes com cuidado redobrado.
Meu pai, precavido, sempre me dizia que eu deveria desligar todas as tomadas quando houvesse blecaute e eu atônita como uma besta fera, não sabia como proceder. Deveria falar com ele? Deveria ligar para a polícia? Deveria tentar fazer comunicação mandando um sinal de fumaça? Ou a melhor solução seria contatar o Vaticano? Momentos desesperados que me tiraram a racionalidade e me fizeram suar meu pijama minutos depois de eu ter tomado um banho que parecia tão longo.
Resolvi acordá-lo. Como boa filha eu precisava alertá-lo sobre o fim do mundo que se aproximava. Cutuquei seu corpo desfalecido, mas ele parecia não reagir a nada. Por um segundo, pensei estar lidando com um cadáver, só que aí então ele resmungou algo ininteligível e pude constatar que meu pai ainda respirava vivo.
Avisei sobre a escuridão que tomava tudo que meus olhos podiam distinguir. Perguntei se deveria fazer algo. Ele simplesmente mandou eu voltar para minha cama e ordenou que eu deixasse sua porta aberta.
Ele não entendia? Eu estava alucinando com o calor que atingia potências fora do padrão de sobrevivência humana. Ensandecida como eu estava, fui olhar a janela. Dirigi-me até a varanda, decidida a passar a noite dormindo no chão mais frio que eu pudesse encontrar.
A noite estava esplendidamente estrelada.
Só poderia ser o fim do mundo para haver uma visão tão bela assim. Era o paraíso mandando seus primeiros sinais? Mas o paraíso não poderia ser tão quente assim. Seria esse um sinal de que na verdade eu estaria indo para o inferno?
Perdi totalmente a noção dos meus sentidos sonhando com o vento produzido por um ventilador.
Acordei na manhã seguinte, agradecida por ter saído com vida do dia em que me encontrei com a Escuridão.




Veja pelo lado positivo da situação..Apesar do blecaute ter atingindo 8 estados do Nordeste..A gente teve um privilegio de vê o céu ontem..As estrelas estavam realmente muito bonitas..
ResponderExcluirAcho que senão fosse o "blecaute" eu não teria visto de como as estrelas são realmente lindas...
^^
Ray
hahahaha
ResponderExcluirAdorei, Dani!
E n era o fim do mundo, apenas Lua Nova(o céu fica mais estrelado)...
Xero!
Scog
;*