sábado, 9 de outubro de 2010

Batalha na Padaria

batalha na padaria 2

Cair da tarde. Você está sentado no sofá num dia comum e não está com estômago para comer nada pesado no jantar.

E há também o fato de que você está no meio de uma dieta. De repente, bate aquela fome que te dá vontade de comer, mas não é suficiente para você fazer grande esforço na cozinha. Então, você vai até a geladeira, verifica os armários e constata que acabou seu estoque de pão integral, margarina light e frios mais light ainda. “Cadê o meu peito de peru e o meu queijo ricota?”, você se pergunta.

Você decide sair de casa e dar uma passada rápida na padaria para repor seu estoque.

A padaria, a temida padaria.

O lugar em que provavelmente você irá cometer um deslize na sua rígida dieta e gastar mais do que o seu bolso pode permitir.

Você pega a carteira e coloca apenas a quantidade estritamente necessária para fazer suas compras, garantindo que não vai se exceder, simplesmente porque não possui mais dinheiro para consumir coisas que sua barriga denunciará mais tarde. Saindo de casa, você caminha rápido e em um rápido instante chega ao campo de batalha. Você sabe que a luta começou porque o cheiro de pão quentinho invade suas narinas com força total.

Mas você não veio até ali para comprar pães quentinhos, fresquinhos e deliciosos, não mesmo. Você veio comprar um pacote de pão integral sem graça e sem gosto para acompanhar coisas sem gordura e sem sabor significativo. Você então entra e pega uma cestinha para colocar as compras.

Passa rapidamente pela seção de doces e finalmente encontra a prateleira com os pacotes de pão integral. Você decide levar logo dois pacotes, dessa forma evita ter que voltar tão cedo para a batalha. Escolhe uma margarina light, sem gordura trans, passa no balcão dos frios e pede porções de queijo ricota e peito de peru, finalizando com uma caixa de leite de soja.

Então, a derradeira hora se aproxima.

Você se dirige ao caixa para pagar as compras e aí depara com uma fornada de coxinhas que acabaram de sair do forno e uma funcionária coloca as bandejas no balcão de salgados. O cheiro inebria seus sentidos e você vai em direção ao balcão guiado pelo seu subconsciente. Tal qual um cachorro olhando uma leva de galetos assando, você fica hipnotizado com a aparência das tais coxinhas. Para piorar a situação, a funcionária o encara, como se estivesse perguntando o que você deseja. Ela revira os olhos impaciente e vai atender outro cliente mais decidido do que quer.

“Ah, umas coxinhas a mais ou a menos não vão fazer grande diferença”, você conclui. A funcionária começa a se aproximar e rapidamente você a chama.

- Vou querer 10 coxinhas pequenas.

A funcionária pega as coxinhas e as embrulha num saco de papel. Então volta a te encarar por um breve segundo.

- Deseja mais alguma coisa?

É aí que a guerra interna se instala em você. “Mais alguma coisa?” Você então realiza uma visão ampla do balcão e descobre que além de coxinhas quentinhas, há pastéis, empadinhas, pães de queijo e muitos outros salgados de dar água na boca.

Mas você já tinha concluído que só as coxinhas já eram suficientes.

Não, não eram.

- Hmm, coloca 5 de cada um dos salgados.

Você olha relutante. Está perdendo a batalha. A funcionária cumpre o pedido e lhe entrega o pacote com os salgados. Você pega o pacote e sai rapidamente antes que ela possa oferecer outra tentação aos seus olhos. A sensação de relaxamento dura pouco.

De volta à fila do caixa, passa um garotinho pequeno com um pedaço de bolo de chocolate. Seu preferido. Istantaneamente, você se pergunta onde a criança encontrou tal preciosidade. No balcão de doces, só podia ser. Outra discussão interna se trava na sua mente. Então você conclui que um pouco de doce não faz mal a ninguém.

Você se dirige ao balcão de doces. Outra funcionária o encara, e aí antes que ela possa sugerir que você quer mais alguma coisa, você já pede tudo que quer de uma vez.

- Me vê um pedaço desse bolo, dois sonhos de doce de leite, um brigadeiro grande e um bolinho de laranja.

Mais uma vez a funcionária executa o pedido rapidamente e lhe entrega o pacote com os doces. Você olha mais uma vez para o balcão, vendo se não há mais nada do seu interesse. É nesse momento que nota que não resta mais espaço algum na cestinha de compras.

Alguma coisa precisava ficar para trás.

Você decide ficar sem a margarina light e o leite de soja, mas em compensação, resolve pegar um pote de maionese e um tubo de catchup, para acompanhar os salgados. Finalmente, você considera que terminou sua tarefa e volta ao caixa. Mas você olha para aquela comida toda e termina concluindo que não precisa de dois sacos de pão integral. Você devolve um pacote e pega um refrigerante, afinal, você não vai conseguir digerir aquelas delícias tomando só água.

Volta ao caixa pela última vez.

O funcionário passa as compras e diz o valor final da conta, você abre sua carteira e descobre que não tem dinheiro suficiente para pagar tudo. Outras coisas precisavam ficar para trás. Sem dó nem piedade, você coloca a cestinha de lado com o pacote de pão integral, o queijo ricota e o peito de peru. Volta seu olhar para o funcionário e diz que só vai levar os salgados, os doces, o refrigerante, a maionese e o catchup. Refeitas as contas, você pode pagar as compras e ainda sobrou algumas poucas moedas.

Satisfeito, você sai alegremente da padaria e vai para casa. Chegando lá, se esbalda com todas aquelas comidinhas que tanto ama. “Sair da dieta só por um dia não faz mal a ninguém”, você conclui.

Depois de um jantar digno de rei, você vai assistir televisão e acaba adormecendo.

No dia seguinte, depois de um dia puxado de trabalho, você volta para casa, cansado, louco por uma refeição leve e uma boa noite de sono. Você se dirige até a cozinha e descobre que seu estoque de pão integral, margarina light, peito de peru e queijo ricota já acabou.

“Bom, preciso ir à padaria”, você conclui.

batalha na padaria 1 

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