quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Moço, me vê uma coca-cola aí

 

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Dezenove de outubro de 2010.

Eu estava numa daquelas minhas tardes comuns, saindo de uma cansativa sequência de aulas e indo em direção ao ponto de ônibus. E lá estava eu sentada, esperando o CDU/SHOPPING via shopping passar. Um daqueles homens que vendem chicletes, água e outras coisas a mais estava ali como quem não quer nada, esperando um eventual cliente.

Eu não havia bebido uma gota de líquido a tarde inteira e estava um calor danado.

Eu estava morrendo de sede.

Foi então que se aproxima uma mulher com seus trinta anos e olha para o homem dos chicletes:

- Moço, me vê uma coca-cola aí.

Rapidamente, o homem abre o depósito de isopor e retira uma lata de coca-cola gelada, entregando-a para a mulher logo em seguida. A mulher paga o refrigerante e vem se sentar despreocupadamente ao meu lado. É bem provável que eu tenha sido a causa para ela ir embora. Afinal, eu não parava de encará-la com olhos desejosos.

Mal sabia ela que só o que eu queria era um bom gole da bendita coca-cola.

Finalmente o meu ônibus chega. Sento-me no banco, contente por não ter que passar meia hora em pé até chegar em casa. Mas a bendita coca-cola não saía da minha cabeça. Meu dinheiro estava curto esse mês, eu não podia me dar o luxo de comprar besteiras.

Passei a viagem inteira debatendo os prós e os contras da compra do refrigerante. Enfim o ônibus estaciona na minha parada e eu desço, ainda indecisa. Caminho em direção ao meu prédio, pressentindo a sensação de beber dois copos de água.

A sede queimou intensamente minha garganta, era como se ela reclamasse da minha escolha, não era de água que ela precisava.

Chego a dez passos da entrada do edíficio. E agora continuo ou ando mais um pouco até a padaria que está a uns vinte passos?

Minha garganta pareceu assumir o controle do meu corpo no lugar do meu cérebro. Afinal de contas eu ganhara uma carona no dia anterior, era como se eu tivesse um pequeno crédito na carteira guardado.

Entro na padaria e compro o refrigerante. Depois saio de lá com a felicidade e satisfação de quem carrega na mão um bilhete premiado da mega sena. Lembro-me de ainda dar o troco de bom grado para um menino de rua que me desejou uma ótima noite.

Assim que o elevador para no meu andar, retiro a tampa da garrafa e bebo quase metade do conteúdo de uma só vez.

Aaaaaahhhhhhh, nada paga o sabor de uma boa coca-cola quando a sede é grande. Parece que você está no céu por alguns deliciosos instantes. Simplesmente, 500 ml de puro prazer…

Ahhhhhh…. tão gelada….Ahhhhh…. acabou.

Ps: A autora deste blog é facilmente impressionável Smiley de boca aberta

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